Tudo muda, só duram as rupturas
Aug. 4th, 2010 | 09:16 pm
location: Quarto do pânico
mood:
apathetic
Escute!!!: Babyloin....
eu passo penando e penado
entre um assovio e um tapa
um samba triste e inacabado
um samba canção
uma pastora calada
devaneio e solidão
Vamos pra Babylon então?
a resposta foi não!
Vamos fundar a República da Paz?
a resposta foi: jamais!!
Posso te mandar um postal escondido?
quem dera tivesse me respondido!!!
Alupô...
o coletivo velado
o individuo esgaluepado
a lado conflitivo escancarado
pesa nas unhas, nas maçãs
no falo, e na inexistência do amanhã....
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DEVANEIO E SOLIDÃO...
Aug. 2nd, 2010 | 12:27 am
location: Grão-Pará!!!
mood:
bored
Escute!!!: Pigs on the Wing
Sobre o tempo (vulga mudança)
De dias chuvosos
De glórias caladas
e beijos selados
Para a distância aterrorizante
do que estava potente
quase-romance
chance em pêlo e carne
das mocinhas francesas
de feras e velas acesas
Verei-te sim em pedaços
te juntarei aos cacos
se um dia conseguir respeitar meus devaneios
descontrolar os arreios e desprender os anseios
São tantas saudades quebradas
tantos tempos renovados
camadas e camadas de um self renegado
destruido em todos os seus lados
que meu único devir
é estar como madeira a ruir
Como peças barrocas, porém ocas
quase perfeitamente acabadas
em lugares sacros
em peitos grandes e opacos
no períneo de donzelas de fino trato
no meio do lixo e dos ratos
Rato ou Cati?
não é mais pra ti
e muito menos pra mim
Será só lembrança
Estórias de um rio e de muitas danças
Da vida intensa e imperfeita
Do eterno nutrir de uma aurora de nossas infâncias
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Noites tropicais....
Jul. 24th, 2010 | 12:24 am
location: Joanes...
mood:
tired
Escute!!!: Gil, 1968, track 12 - A Coisa Mais Linda Que Existe
de gostos doces e corpos dóceis
nas lembranças agradáveis e na livre escolha da tua companhia
descubro o valor de distância círia de uma romaria
Distância de um país
quase um continente
de águas mornas e voluptuosas
distância reduzida à memória de um nariz
de uma proposta indecente
de uma espera completa e ansiosa
Entre surpresas e hermenêuticas do gosto
por entre táticas e astúcias do trópico quente
vejo em trocas virtuais de além mar
(ou será rio?)
A chance duradoura de possibilidades ardentes
Tenho um pequeno diário em verso
Verso sobre um pequeno bestiário ordinário
Não rezo, não faço oração, nem falo com as mãos (ainda)
Sinto a pele, o calor de cada dia equatorial, e duro
naquelas unhas guardadas em beijos que aguardam
tua chegada de avião para longos vôos noturnos...
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Em tempos de Borges, da terra sem bigodes...
Jul. 10th, 2010 | 10:50 am
location: Grão-Pará
mood:
hot
Escute!!!: MIlonga de Manuel Flores
Eternidade
Que o tempo é arquétipo
e que a ilusão
são todos futuros e anteriores instantes
Quando se está em um tempo
de vários tempos iguais
Se percebe às vezes,
na beleza daquele momento
O substantivo mais abstrato dos mortais
É a qualidade do efêmero
É a graciosidade do toque
e ventos de saliva em Domingos de Sol
É o sono de um vampiro ingênuo
É a melancolia do samba e a ira do rock
e lembrança do cheiro de cada fio do teu lençol
Já levaste embora todos meus bocejos
Já estancaste em cheiro alguns de teus gracejos
e trouxeste para a terra do Sol ardente
O abismo das palavras
o vulcão do berro
a língua entre meus dentes
Não serás tão pouco e apenas
um beijo e um carinho
nas poltronas olímpicas
de um cinema antigo
Serás muito mais que Athenas
Taças de suco e de vinho
uma transa mítica
De um duplo amigo
Te aguardo entre verbos
Te olho em coretos e fotos
e te espero
para testarmos à testa do anti-privado
todas as privações deste impublicável
furor de sentimentos velados
Talvez até decore Borges por mero acaso
Ou paralise minutos de lindas horas para fazer-te um agrado
Será a 82° do Norte?
Ou no dia 10.220 da pré-morte?
Ao 28° dia de sorte?
Quando?
Que seja logo, que seja forte!
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Escuros, toques e silêncio... Sobre algumas milongas hipercontemporâneas...
Jul. 1st, 2010 | 12:34 am
location: Lacunas e ondulações, Norte e Sul do continente tropical
mood:
confused
Escute!!!: A última frase de "MIlonga de ALbornoz (detalhe ou fragmento?)
Quando é que terei a segurança
e só a simples lembrança
do dia que consegui calar todo meu corpo
que fechei meus discos, livros e boca
para não dizer palavras tão ocas?
Em quais de tantas horas
que o escuro não será medo?
Que a partir do meu toque
desvelarei alguns dos teus segredos?
Por enquanto ainda procuro tudo
ainda bato a canela e escondo a face
ainda jogo fora todos meus lutos
e sempre torço pra que passe
a angústia de tentar cada vez mais em todos meus delírios
arrancar um beijo tímido, lânguido e lírico
abrir a boca pra acordar e rir de gargalhar
sonhar com obras incompletas, textos pontuais
poemas banais, rimas nada de mais
Enquanto duro
enquanto instante
enquanto ainda durmo
pouco, mas ainda muito
enquanto é, porque no próximo instante
pode-se dissolver em pêlos
em café e letras
dentro de um coração tímido
confuso, perdido e noviço
em detalhes, fragmentos e ouvidos
em milongas e tardes de Sol,
de outono e inverno, primavera e verão
em registros de estórias que meus "não-filhos"
jamais escutarão...
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Poética do instante... SÓ
Jun. 28th, 2010 | 09:55 am
mood:
exhausted
Escute!!!: Cambalache...
É pouco beijo pra muito desejo
Corpo de menos para toque demais
Sono perdido de noites atras
Se os abraços cobrem o mundo
As pernas prendem o universo
Se nunca poderemos ser mais tudo
Falar nada quer dizer o inverso
Gargantua
Odisseu
Aquiles
Prometeu
Façam do riso o pranto
Do beijo distante, íntimo
Da solidão façam saudade
Do universal o ínfimo
Das mãos só eternidade
e do que sobrar de tudo isso
façam de todo meu eu jogado no abismo
mais um pouco do que resta de nós...
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Às sombras de Dionísio, “no pêlo” ou SOBRE O CANSAÇO HIPER-CONTEMPORÂNEO
May. 28th, 2010 | 09:01 pm
mood:
tired
Escute!!!: Alfomega, de Caetano
Nada é mais vibrante, mais torto
que o instante
Seco copo, morto e renascido
sobre o umbral do ombro talhado em vidro
Covarde aquele que tem coragem
O Pero Vaz e o Camões da pedra selvagem
Astuto é o vivente matuto
Ávido e guloso de outros lutos
Qualquer arte, popular, elitista ou mascate
É menos sincera que a mais mentirosa das biscates
Menos romântica que o sono dos amantes de Dionísio
Mais indireto e mais pálido que todos teus orifícios
Sem tens por mim algum zelo
me ensina a tê-lo
Mas por favor,
me deixa sozinho e “no pêlo”
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O Patrão é meu pandeiro... ou SOBRE O CARNAVAL HIPER-CONTEMPORÂNEO
Feb. 10th, 2010 | 11:33 am
mood:
tired
Escute!!!: Pombo Correio, de Benedito Lacerda
Durante os dias que não sinto mais
bato portões sem olhar pra tras
Queimo sinfonias de dias vazios
Driblo o suor
Torço pelo frio
e pra que tudo não se acabe em um fio
Durante os dias
eu nunca sei o que me passa
se o problema é o vinho ou a cachaça
se o poema é maiakowsky ou neruda
se coloco calça ou bermuda
E se a língua tesuda vai continuar muda
Durante...
dura o que tem ruptura
Impoe-se ao tempo o que é rachadura
E se eu fosse mais um em busca do quase
iria pra bem longe do id e do do ego
pra sempre, por fases
Dura?!
Quebra mas não segura
Balança, cai e não levanta
Haja Falo!!! Haja Samba!! Haja fado!!!
Haja Ignorância
Haja facho de esperança
a um morto cada vez mais condenado
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Latifúndio improdutivo ou SOBRE AS DESTEMIDAS AVENTURAS HIPER-CONTEMPORÂNEAS
Jul. 14th, 2009 | 12:04 pm
location: O Antiquário das lembranças
mood:
drunk
Escute!!!: Ze Ketti, 1979, track 08
Ignorante vida e destemida morte
Faz-me sentir algo realmente forte
Diante da insônia insolente
De um dia viver (a)carente
De um latifúndio improdutivo
De um falso libído
Do sono esquecido
e do sonho proibído
Qualquer que seja o resultado da jornada
Seja feita ou afogada na jangada
com um furo na proa ou com a pá quebrada
qualquer que seja a sola furada
Caminhas!!!
óh caminha ser ignorante
Caminhas!!!
óh caminhas dom distante
Voltas!!!
e olha com gozo a tumba retumbante
Voltas!!!
as voltas com idéias ignorantes
Da vida nada sobra
Na morte tudo falta
Prefiro a busca sempre ansiosa
De procurar inconsequentemente o cheiro da rosa
Saudade da terra
da cama e da guerra
Saudade brutal
da cama e do umbral
Saudade esquecida
da cicatriz que tirei da ferida
E olho, agora com arrependimento
o que sempre deixei para outro momento...
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A mão do batente, ou SOBRE OS INSTRUMENTO HIPER-CONTEMPORÂNEOS
Nov. 20th, 2008 | 12:20 pm
mood:
artistic
Escute!!!: Se foi bom pra você, da velha guarda da mangueira...
Se uma mão bate, a outra balança
Faz que via e não vai, fica no vai-vém
sobe estica e desce,
pancada em mais alguém!!!
A mão da leveza é rápida
voraz, pesada e afirma
fica suspensa, sem apoio
e não segura minha rima
A outra que da pancada
essa sim é leve
pluma voando em devaneio
rapidez quase invisível, e esquecida
jogada pra escanteio
Força incontrolável de sobreposições
que juntas fazem muito barulho
que juntas fazem esquecer do resto
e sempre estouram na parte mais fraca do culhões
Pele que sofre
tadinha
que grita
quietinha
faz do samba
a metáfora da vida mesquinha